terça-feira, 9 de março de 2010

Inaugurado o primeiro CAPS III do Rio de Janeiro no Complexo de Atendimento à Saúde da Rocinha - 08/03/2010

Lula diz na Rocinha que bandidos também se escondem em 'prédios chiques de Copacabana'

Publicada em 08/03/2010 às 15h42m por Cássio Bruno - O GloboReuters
Acompanhado de Dilma e Cabral, Lula inaugura complexo esportivo na favela da Rocinha, mais  uma obra do PAC - Foto: Marcia Foletto/O Globo
RIO - Em discurso na favela da Rocinha, uma das maiores do Rio de Janeiro, e, palco de constantes confrontos entre policiais e traficantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a presença de bandidos não é exclusividade das comunidades pobres do Brasil.

- Acabou o tempo em que as pessoas não olhavam para cá (Rocinha). É verdade que a Rocinha deve ter algum bandido. É verdade que no Pavão-Pavãozinho deve ter algum bandido e no Complexo do Alemão também, mas quem disse que não tem bandido naqueles prédios chiques em Copacabana? Quem disse que não tem bandido em outros lugares desse país? - questionou o presidente durante a inauguração de um complexo esportivo na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para ele, é a população mais carente quem sofre com este tipo de preconceito:
- O que é mais grave é que os perseguidos são os pobres dos morros e nós, tanto eu, como o Sérgio Cabral e o prefeito (Eduardo Paes), estamos convencidos de que as pessoas precisam é de oportunidade. É levar a elas cultura, educação, possibilidade de lazer e de trabalho, que nós estaremos construindo homens e mulheres de bem nesse país e não bandidos e traficantes.
Lula voltou a afirmar que as comunidades pobres do Brasil foram abandonados por governos anteriores e, que seu objetivo é dar dignidade e oportunidades aos menos favorecidos.
Apesar de estar chegando ao fim do seu governo, Lula, afirmou que ainda se sente vítima de preconceito de parte da elite nacional que até hoje não se conforma em ter sido governada por um metalúrgico sem diploma.
- Todo mundo sabe que eu tenho casco duro, que se dependesse de bordoada não estaria onde estou porque uma parte da granfinagem desse país não aceita que um metalúrgico seja um presidente da República e, que um metalúrgico tem feito mais que eles - disse.

O presidente estava acompanhado da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, e de outros cinco ministros: Franklin Martins (Comunicações), José Gomes Temporão (Saúde), Orlando Silva (Esportes), Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho).
Lula inaugurou as primeiras obras do PAC na comunidade. Com investimento de R$ 231,2 milhões, foram entregues, além do centro esportivo, um Complexo de Atendimento à Saúde (CAS), que irá abrigar uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA 24h), um Centro de Saúde da Família e um Centro de Atenção Psicossocial.
Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/03/08/lula-diz-na-rocinha-que-bandidos-tambem-se-escondem-em-predios-chiques-de-copacabana-916012520.asp

Nota da Editor:
Cabe ressaltar aqui sobre esse CAPS - Centro de Atenção Psicossocial. Ele é um CAPS III - o primeiro do município do Rio de Janeiro, que foi inaugurado hoje, dia 08 de março - Dia Internacional de Luta das Mulheres - e batizado de MARIA DO SOCORRO SANTOS - Pintora e militante do movimento da luta antimanicomial do Rio de Janeiro, falecida em março de 2005. No convite da Gerência de Atenção Psicossocial - Coordenação de Saúde Mental - Superintendência de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro tem uma pintura (acima reproduzimos) e uma frase dela, que diz assim "Queremos uma sociedade em que Ninguém vai te excluir, mas sim incluir.  A nossa sociedade vai ser igual à sociedade de cada um” (Maria do Socorro Santos).


Caso tenha interesse em conhecer suas obras artísticas - suas telas, sua vida e o Projeto Maria do Socorro Santos (Instituto Franco Basaglia/Balcão SOS/Pinel) bem como a homenagem póstuma pelo Prof. Eduardo Vasconcelos, acesse o link abaixo:
http://www.rubedo.psc.br/socorro.htm

Parabéns a todos nós que construímos no cotidiano a política de saúde mental - a Reforma Psiquiátrica!
Saudações Antimanicomiais,
Prof. Marco José Duarte - NEPS/UERJ

terça-feira, 2 de março de 2010

Conferência Municipal de Saúde Mental - Intersetorial - Rio de Janeiro


IV CONFERENCIA MUNICIPAL DE SAÚDE MENTAL - INTERSETORIAL
Cidade do Rio de Janeiro

Reproduzimos na íntegra a Circular 01/03/2010 da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro:

"A Coordenação de Saúde Mental está organizando a IV Conferência Municipal de Saúde Mental do município do Rio de Janeiro que se realizará nos dias 28,29 e 30 de abril do corrente ano.
 A Comissão Organizadora realizou sua primeira reunião no dia 04 de janeiro, buscando com bastante antecedência se preparar para um evento tão significativo e esperado por nós, trabalhadores de saúde mental.
Pela primeira vez em sua história, a Conferência será intersetorial, o que implica em uma distribuição de delegados, convidados e observadores que extrapola a área de saúde mental, diferentemente das Conferências anteriores.
Começamos com um grupo pequeno que está concluindo sua composição para refletir essa nova proposta de distribuição, qual seja, 70% da área de saúde mental e 30% intersetorial, distribuição esta que só tivemos ciência após a publicação do Regimento da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, que se deu em 12 de fevereiro.  A Comissão se reúne regularmente, todas as segundas-feiras e conta com profissionais, gestores, usuários, representante do conselho  municipal de saúde, de prestadores e de parceiros de outras secretarias como educação, assistência social e trabalho.  Em breve deverá ser publicada em DO a Comissão Organizadora da IV CMSM.
Até o momento, as informações que temos a divulgar são as que se seguem:
Data: 28, 29 e 30 de abril
Local: a definir
Participantes: Lembrando que a Conferência é aberta, ficaram assim distribuídas as vagas por categoria, em um total de 303 participantes pré-definidos.
·        Delegados (com direito a voz e voto):   239
·        Convidados (com direito a voz):               40
·        Observadores (sem direito a voz e voto): 24
Quanto aos delegados:
·        41 gestores/prestadores
·        41 profissionais de saúde mental
·        82 usuários/familiares
·        54 intersetorial
·        21 membros da Comissão Organizadora
(+ 20% das vagas de cada segmento para delegados SUPLENTES)
           Quanto aos observadores:
·        Representantes de entidades envolvidas com o tema da saúde mental e deverão seguir o critério de 70% de representantes da saúde e 30% de parceiros intersetoriais

A definição das vagas para profissionais de saúde mental, intersetoriais e de observadores, assim como os 20% das vagas de suplência de cada segmento se dará nos fóruns ampliados de saúde mental, que serão divulgados em todos os serviços de saúde da área, nos conselhos distritais, etc. e convocados especificamente para esse fim. Os articuladores estarão à frente dessa organização, contando com o apoio das coordenações das CAPs.
A definição das vagas para usuários/familiares, assim como os 20% das vagas de suplência se dará em assembléias de usuários convocadas pelos articuladores e os CAPS, amplamente divulgadas nos serviços de saúde mental da área, convocadas especificamente para esse fim. Os articuladores, juntamente com os CAPS e as coordenações das CAPs assumirão essa empreitada.
Os articuladores já estão de posse do total de delegados e observadores, correspondente as suas áreas, para serem eleitos nos fóruns ampliados e nas assembléias, nos quais um ou mais representantes da Coordenação de Saúde Mental estarão também presentes.
Nossos articuladores estão à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas sobre a IV CMSM, lembrando que ainda há diversas etapas por concluir.
Aproveitamos a oportunidade para comunicar que o primeiro CAPS III será inaugurado no próximo dia 08 de março, dia Internacional da Mulher, e coincidência, já havia sido batizado como nome da usuária Maria do Socorro Santos. O CAPS Maria do Socorro localiza-se na Estrada da Gávea, s/ número, curva do S.
Assim que tivermos a informação sobre o horário, enviaremos convite digital a todos.
Abraços,
Pilar Belmonte
Coordenadora de Saúde Mental - SMSDC-Rio"

Em Defesa da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial
Saudações Antimanicomiais
Prof. Marco José Duarte - NEPS/UERJ

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Manifestação Nacional contra o PL do Ato Médico - 09/03/2010


Manifestação no Rio de Janeiro contra o PL do Ato Médico é na Cinelândia, participem!

O CRP-RJ convida todos os trabalhadores, estudantes e a sociedade em geral a participarem de uma manifestação em defesa da Saúde brasileira. No dia 9 de março de 2010às 17h, haverá um ato público na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, em repúdio ao Projeto de Lei do Ato Médico, que está em vias de ser aprovado no Senado.

Na manifestação, os presentes promoverão um “apitaço” contra o PL do Ato Médico, uma distribuição panfletos e outras ações para conscientizar a população dos riscos que o projeto traz não só para as profissões de Saúde, mas para toda a sociedade.


Entenda o PL do Ato Médico


Iniciado como um projeto para regulamentar a profissão dos médicos, o Ato Médico transformou-se em um instrumento de centralização da Saúde na Medicina. Essa tentativa está expressa em diversos pontos do PL, entre eles o que diz que somente médicos podem exercer a direção e chefia de serviços médicos (sem definir o significado de “serviços médicos”) e o que dá a esses profissionais a exclusividade do diagnóstico e da prescrição dos tratamentos. Além disso, para consultar outros profissionais de Saúde, a população precisa passar, primeiro, por uma consulta médica.

O Projeto de Lei foi apresentado em 2001 no Senado, onde foi aprovado em 2005, sendo encaminhado para a Câmara. Após modificações, um substitutivo foi aprovado na Câmara no dia 21 de outubro de 2009 e retornou ao Senado, onde tramita atualmente.
O CRP-RJ não nega aos médicos o direito de terem uma regulamentação sobre sua profissão; porém, usando-a como pretexto, o projeto parece ser uma reserva de mercado disfarçada. E não podemos deixar de considerar significativo que quase todas as profissões da área da saúde - Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Técnicos em Radiologia - posicionaram-se de forma contrária ao projeto do Senado. 


Fonte: Conselho Regional de Psicologia – Rio de Janeiro

Enfim, a IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial

POR UMA REFORMA PSIQUIÁTRICA ANTIMANICOMIAL

A III CNSM – Conferência Nacional de Saúde Mental foi realizada em 2001, 9 anos depois, em 2010, teremos, enfim a IV CNSM – Intersetorial.  Foram vários anos de reivindicações e manifestações: Na plenária da ABRASCO durante o VIII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva realizado no Rio de Janeiro em 2006, foi aprovada moção de reinvindicação à realização da IV CNSM; Em 2008 a XIII Conferencia Nacional de Saúde em Brasília aprovou a indicação da realização da IV Conferencia Nacional de Saúde Mental; Em 30 de setembro de 2009 foi realizada a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial em Brasília, em que 2.500 usuários de serviços de saúde mental reivindicaram a realização da IV CNSM e foram atendidos pelo chefe da Casa Civil e pela ministra interina da Saúde, tendo recebido o comprometimento com a realização da IV CNSM; Em 21 e 22 de outubro de 2009 aconteceu a reunião ampliada da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Conselho Nacional de Saúde em que estavam representados os estados brasileiros por seus conselheiros estaduais e nela foi reafirmada a necessidade da realização da IV CNSM e nesta mesma reunião o ministro Paulo Vanucchi afirmou a parceria da Secretaria Especial de Direitos Humanos na realização da IV CNSM; Em 02 de novembro, em Olinda, na plenária de encerramento do IX Congresso da ABRASCO foram aprovados uma Moção de Apoio à realização da IV CNSM e a Carta de Olinda, reivindicando e justificando a imediata convocação da IV CNSM.
O Departamento de Ações Estratégicas – Área técnica de Saúde Mental, Coordenado pelo Pedro Gabriel Godinho Delgado, da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, através da sua mensagem eletrônica nº 53/2009 aos coordenadores de saúde mental integrantes do Colegiado Nacional de Coordenadores de Saúde Mental, Consultores, Coordenadores municipais de saúde mental informa que recebeu ofício da Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Saúde – CNS, em 16/12/2009 comunicando a decisão da Plenária do CNS, de 11/11/09 de realizar a IV CNS fazendo com isso a consulta ao Ministério para a efetivação da Conferência tendo em vista o ano eleitoral. Desta forma, o Ministério da Saúde definiu que, com o apoio dos parceiros externos se compromete a realizar a IV CNSM, até junho de 2010. Esses parceiros, seguindo determinação do CNS, são: Secretaria Especial de Direitos Humanos, Ministérios do Desenvolvimento Social e da Justiça, também serão convidados: Os Ministérios da Educação, Cultura, Trabalho e Emprego, Esporte e Lazer e as Secretarias Especiais para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial. Decisão de parceiros intersetorias/intermnisteriais que foi formalizada ao CNS na reunião plenária de 13/01/2010. Ficando assim definida as etapas: Etapa municipal até abril e estadual até maio.
Por decisão do CNS a Comissão Organizadora Provisória construiu proposta organizativa preliminar da IV CNSM e sugestão de Comissão Organizativa Definitiva, após plenária de janeiro, com participação de governo e sociedade civil. Assim, em 26/01/2010 reuniu-se a Comissão Provisória da IV CNSM. As propostas da reunião sobre a IV CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL – INTERSETORIAL: Comissão de Organização Permanente: Deverá ter representações que contemple a intersetorialidade da Saúde Mental: 01 Responsável pelo MS: Sandra Fagundes (Consultora). A Comissão de Organização deverá ser composta intersetorialmente, com representação de entidades, trabalhadores, gestores, usuários e familiares. (Comitê Executivo, Coordenação de Programação, Coordenação Mobilização e Articulação, Coordenação de Infra-estrutura; Coordenação de Comunicação e Coordenação de Relatoria); 2. TEMA DA IV CNSM: “Saúde Mental direito de todos: consolidar avanços e pactuar caminhos” “Saúde Mental, direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios” – (Provisórios). EIXOS: Eixo I: Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais (financiamento, recursos humanos, modelo de gestão e protagonismo social); Eixo II: Consolidando a rede de atenção psicossocial e fortalecendo os movimentos sociais; Eixo III: Direitos humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial. PORTARIA DE CONVOCAÇÃO: Interministerial (viabilidade jurídica) e REGIMENTO INTERNO: Calendário que será proposto ao Conselho Nacional de Saúde, em 10/02/2010: Etapas municipais e/ou Regionais – 08 de março a 15 de abril de 2010; Etapas estaduais – 26 de abril a 23 de maio de 2010; Conferência Nacional – 27 a 30 de junho de 2010. A  Proposta de número e proporcionalidade dos participantes: Delegados: 1200, sendo 70% da saúde (seguindo critério de paridade estabelecido pelo SUS, de 50% para usuários e familiares, 25% para profissionais e gestores e 25% para prestadores) e 30% dos campos intersetoriais (com proporcionalidade a ser discutida). A proposta de 1200 delegados amplia a participação ocorrida na III Conferência (1000 delegados) para além do incremento populacional de 2001 a 2010. Observadores: 120 (a proporcionalidade seguirá o mesmo critério para delegados) e Convidados: 200 (escolhidos pela Comissão Organizadora Permanente).
Assim, na Plenária do Conselho Nacional de Saúde de 10/02/2010, é aprovado o Regimento Interno da IV Conferência Nacional de Saúde Mental : Intersetorial elaborada pela Comissão Organizadora Provisória, e apresentada pelo Coordenador Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Pedro Gabriel Delgado, e pela Secretária Executiva do Conselho Nacional de Saúde, Rozângela Camapum. 
Foram feitas propostas de inclusão de participantes na Comissão Organizadora, sendo três trabalhadores das áreas de enfermagem, assistência farmacêutica e assistência social e de mais dois representantes de usuários, cujas entidades serão indicadas pelo Conselho Nacional de Saúde. Foi aprovada a proporção de 70% de delegados da saúde e 30% intersetoriais. 
A IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial terá como tema central “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios” tendo como eixos temáticos: a) Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais; b) Consolidando a rede de atenção psicossocial e fortalecendo os movimentos sociais; c) Direitos Humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial. 
Foi também aprovada a inclusão de temas para os sub-eixos: assistência farmacêutica, saúde mental do trabalhador, interdisciplinariedade, saúde mental da pessoa com deficiência mental, saúde mental indogena e reforma psiquiátrica no SUS. Os demais sub-eixos serão discutidos pela Comissão Organizadora da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial.

Procure informar-se também: Acessando os links! 
Para obter maiores informações, escreva para: ivconferencia.ms@saude.gov.br

Saudações Antimanicomiais,
Prof. Marco José Duarte - NEPS/UERJ

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Tá Pirando, Pirado, Pirou...Loucura Suburbana....Blocos de Carnaval com usuários, técnicos, familiares - Carnaval carioca 2010


"É carnaval. Milhões de brasileiros caem na folia. No Rio de Janeiro, em todos os bairros, pululam centenas de blocos de rua. Um deles é o ‘Tá Pirando, Pirado, Pirou’, criado na Urca, em 2005, por usuários dos serviços de saúde mental e funcionários do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. No ano passado, recebeu o prêmio ‘Loucos pela Diversidade’ do Ministério da Cultura. Neste ano, desfilou pela Av. Pasteur, com o enredo “Ser maluco é fácil, difícil é ser eu”, animado pela Bateria Batuque de Bamba.

Esse enredo, que nos convida a uma reflexão sobre a identidade e a exclusão do louco, foi proposto por João Batista, um portador de sofrimento psíquico. Ele sentiu na própria pele a violência do isolamento em um hospício e, com base nisso, sentenciou: “ser maluco é fácil, basta você ter sua primeira internação no manicômio e o sistema faz o resto”. Concluiu, depois de ser tratado pelos novos serviços instituídos pela Lei da Psiquiatria de 2001: “Como é difícil ser eu!”. Criou, sem querer, o mote para o enredo.

A lógica manicomial dá muito pano para fantasias e alegorias, com seu tratamento agressivo, camisa-de-força, psicocirurgia e eletroencefalograma duvidoso, que não deixam o eu ser eu. Um dos bonecos gigantes que desfilou no bloco, movido por um folião, tinha o corpo, os braços e as pernas formados por caixas de psicotrópicos. “Foi comovente ver ex-pacientes de longos anos de internação num macro-hospício participando da evolução da comissão de frente” declarou a psicóloga Rosaura Braz.

O desfile do bloco “Tá pirando” carnavalizou, dessa forma, as idéias de Michel Foucault que estudou, no seu livro História da Loucura na Idade Clássica, as diferentes formas de tratar os distúrbios mentais nos últimos séculos. O filósofo francês demonstrou que os loucos, que viviam vagando pelas cidades, passaram a ser internados não por razões médicas, mas com objetivo de vigiar, controlar e punir. O hospício, em vez de um lugar de cura, se tornou uma fábrica de loucos.

O enredo do bloco toca na ferida. Hoje parece absurdo, mas antes muita gente acreditava e outros fingiam crer que a loucura era contagiante, que a doença mental podia ser transmitida através do convívio e que, por isso, o louco - um doente incurável e perigoso – devia ser internado, segregado e excluído da sociedade. Essa idéia foi tão nociva, burra e interesseira quanto a crença em ‘raças inferiores’. No caso da mulata, o racismo de Lamartine Babo dava um desconto, quando cantava: “mas como a cor não pega, mulata, eu quero o teu amor”.

Já com a loucura, que ‘pega’, não havia atenuantes. O remédio para essa espécie de ‘lepra mental’, além da discriminação, era o confinamento. Criou-se o ‘medo do contágio’ como uma justificativa ideológica para impedir que os loucos ficassem vagando nos grandes centros urbanos, alterando a ordem. No entanto, nas cidades de pequeno e médio porte, onde o poder político era, felizmente, fraco ou incompetente para organizar a repressão, a idéia não vingou. Foi o caso de Manaus.

Os loucos, alguns de famílias tradicionais, circulavam livremente pelas ruas da capital amazonense, até os anos 50/60, ainda que a convivência com a população nem sempre fosse harmoniosa. Às vezes eram escorraçados pela molecada, mas freqüentemente eram tratados com respeito e conseguiam estabelecer relações solidárias com os moradores dos bairros, que em certa medida embarcavam em suas fantasias(...)


(...) Só no Rio de Janeiro, além do ‘Tá pirando’, tem o ‘Loucura Suburbana’, do Instituto Nise da Silveira, que já desfilou dez anos seguidos pelas ruas do Engenho de Dentro, e o ‘Tremendo nos nervos’ do Centro Psiquiátrico (CPRJ), que sai na Praça da Harmonia, no bairro da Saúde. Com seis meses de antecedência, eles começam os preparativos: fazem oficinas, escolhem um tema, estudam o enredo, selecionam o samba e trabalham a produção de fantasias, bonecos e estandarte.

A participação dos pacientes na produção do bloco já faz parte do próprio tratamento, porque ajuda na recuperação, colabora com a inclusão social e, sobretudo, enfrenta o estigma da loucura com coragem e alegria. Se, em francês, loucura é ‘folie’, então esses blocos incorporam os verdadeiros foliões, cuja alegria, essa sim, é contagiante (...)"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


ANOTE
NA
SUA
AGENDA!
VEM
AÍ!
II CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE MENTAL DA ABRASME (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SAÚDE MENTAL)

IV FÓRUM INTERNACIONAL DE SAÚDE COLETIVA, SAÚDE MENTAL E DIREITOS HUMANOS


IV ENCONTRO INTERNACIONAL DA REDE DE INTERCÂMBIO DE BOAS PRÁTICAS NO CAMPO DOS SERVIÇOS SOCIAIS, SAÚDE DE BASE E SAÚDE MENTAL


TEMA: LOUCURA e SAÚDE MENTAL NO SÉCULO XXI: ENFRENTAMENTOS, TERRITÓRIOS E FRONTEIRAS.


De 03 a 05 de junho de 2010


Local: Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ - Rio de Janeiro - Brasil


Promoção: LAPS/FIOCRUZ, ABRASME, MNLA/Brasil, UPMPM/Argentina, PRODEMAM/UERJ, Instituto de Psicologia/UERJ, NEPS/Faculdade de Serviço Social/UERJ, Reitoria/UERJ, MS, ABRASCO, CEBES, Conselhos Profissionais da Saúde, UNESP-ASSIS, UFSC, UFRJ, MNDH, CNPq, CAPES, FAPERJ, FIOCRUZ, UECE, SMS/PMRecife, e tantas outras...


Hoje, 08/12/09, foi a primeira reunião da Comissão Organizadora. A princípio, os resumos devem constar título, autores, instituição, telefone, e-mail, objetivos, procedimentos metodológicos, referencial teórico e conclusão. Mas tudo está em definição, contudo estou enviando essa para aproveitarmos o tempo para estar em alerta quanto a esse momento. Afinal em 2010 ocorrerá a IV Conferência Nacional de Saúde Mental. Estar-se-á atualizando o site para envio de resumos de trabalhos (modalidades: mesa, oficina, simpósio, rodas de conversa, temas livres e atividades culturais) que deverá ser até o dia 21/03/2010.


Abs
Prof. Marco José Duarte
NEPS/UERJ
FOTO: Ato-passeata na Praia de Copacabana - maio de 2008 (II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos - UERJ - Rio de Janeiro - Brasil)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Caros colegas,
Os trabalhadores da área da saúde mental em particular e da saúde em geral estão empenhados nessa luta e convidamos vc a participar dela também.
Está sendo divulgado pelas entidades da enfermagem e da psicologia, e como também somos da área da saúde estamos dentro.
O Senado Federal está disponibilizando em seu site uma enquete para consultar a população se ela é a favor ou contra a regulamentação do exercício da Medicina nos termos do projeto PLS 268/02.

Essa enquete ficará no ar apenas durante o mês de dezembro, a exemplo do PLC da Homofobia no mês passado.
A proposta de lei é absurda para os trabalhadores e para os cidadãos-usuários, que no final das contas sofrerão com as consequências da aprovação de uma lei como essa.
Participem da pesquisa (leva menos de 1 minuto) e repassem para que outros possam faze-lo.
Vamos fazer a nossa parte.

Votem através do link:

O tempo gasto é mínimo.


Para maiores informações quanto ao Projeto de Lei, acesse:

Abs,
Prof. Marco José Duarte. NEPS/UERJ e CAPS/UERJ