domingo, 18 de outubro de 2009

Dia 10 de outubro - Dia Mundial da Saude Mental




Dia Mundial da Saude Mental - 10/10/2009




Estava em Madrid - Espanha e acompanhei de perto a luta da FEMASAM (Federação Madrilenha de Associações Pro Saude Mental), da AMSM (Associação Madrilenha de Saude Mental), da AMRP (Associação Madrilenhade Reabilitação Psicossocial) e da ANESM (Associação Nacional de Enfermagem em Saude Mental).




Em seu site, a FEMASAM (http://www.femasam.org/) informa que "como nos anos anteriores, no dia 10 de outubro celebramos o Dia Mundial da Saúde Mental. Convocado pela Federação Mundial de Saúde Mental e respaldado pela Organização Mundial da Saúde, este ano centra sua temática na importância da Atenção Primária e da Atenção Comunitária na Saúde Mental, justamente quando enfrentamos um plano de saúde mental 2009/2010 que ainda não está aprovado, mas que reduz recursos puramente psiquiátricos, como assistentes sociais e enfermeiros, não assume como como responsabilidade sanitária a reabilitação psicosocial e questiona o modelo de atenção comunitária. Apresentamo-nos de novo, de reclamar recursos dignos, integrais e coordenados como os que já existem nos países mais desenvolvidos da União Européia."




CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAUDE MENTAL EM MADRID - ESPANHA




As associações acima: FEMASAM, ANESM, ANESM e a AMRP membros da Mesa Pro Saúde Mental de Madrid quer expressar sua profunda discordância e preocupação com os seguintes aspectos do Projeto do Plano Estratégico de Saude Mental para 2009-2011:




1) A estrutura e o conteúdo do texto não correspondem a um verdadeiro Plano de Saúde Mental, assumindo as características de um relatório situacional e as recomendações sem autorização orçamentária e os prazos para implementação e ferramentas de implantação, acompanhamento e avaliação desses.




2) O desaparecimento da natureza pública e gratuita de cuidados de saúde e equidade e acessibilidade para todos os cidadãos da Comunidade de Madrid para o sistema de saúde pública e os valores que sustentam o modelo de atenção.




3) O desaparecimento da "Distribuição de assistência e cuidados de saúde que rompe radicalmente com o modelo de atenção que tinha sido desenvolvido na região de Madrid e impede uma comunidade de cuidados com base, tornando impossível para manter a continuidade dos cuidados , ferramenta indispensável no tratamento das doenças e problemas de saúde mental.


4) O desaparecimento do Escritório Regional de Saúde Mental como autoridade de saúde eficaz com a capacidade de combater as políticas de saúde mental e para o diálogo com a gestão hospitalar.


5) O desaparecimento de apoio institucionais vinculados às associações de pacientes, contidas no plano anterior.


6) As relações de profissionais não-psiquiátrias (psicologia, enfermagem e serviço social) são claramente insuficientes para efectuar uma abordagem global dos transtornos mentais e especialmente para a criação e o desenvolvimento de Programas de Reabilitação e Cuidados Continuados, instrumento da comunidade técnica essencial no tratamento de transtornos mentais graves para o século XXI.


7) O Ministério da Saúde ignora completamente a reabilitação psicossocial, proporcionar saúde também está incluído no portfólio de serviços do Sistema Nacional de Saúde, considerando como todas as intervenções sociais que são realizados na reabilitação e dispositivos assistenciais, para uma abordagem a médio e longo prazos sobre os transtornos mentais graves, a hospitalização prolongada exclusivamente em detrimento do fortalecimento dos programas de reabilitação para os Centros de Saúde Mental: assistência, comunidade, trabalho social e reabilitação psicossocial.




Portanto, as associações acima estão requerendo:




• A retirada da proposta de Plano Estratégico de Saúde Mental 2009-2011.


• O desenvolvimento de um novo projeto de Plano de Saúde Mental:


- Mantém os princípios e valores da organização atual dos cuidados e as recomendações da Estratégia de Saúde Mental no Sistema Nacional de Saúde


- Incluir a reabilitação e programas de serviços de saúde local de recuperação e reabilitação psicossocial no centro das atenções de transtornos mentais graves


- Tem um resumo financeiro


- Estabelecer a distribuição dos recursos de acordo com um modelo territorial


- Tenha um período não inferior a 5 anos


- Tenha um pedido explícito de cronograma


- É avaliável com respeito


- É aplicável e obrigatório em toda a Comunidade de Madrid.


- Tem um amplo consenso profissional e controle parlamentar e social.


- Incluir um orçamento explícito e detalhado de acordo com o cronograma de execução




(Mais informações da rede de associações: http://www.saludementalmadrid.blogspot.com/)




A realidade da política de saúde mental na Espanha é muito diferente da nossa no Brasil. Há um retrocesso visível de desfinanciamento público, e o mix público-privado já é uma realidade. Isso tem consequencias graves que percebemos em conversas informais com as lideranças técnicas, usuários e familiares da luta presentes em Madrid no dia 10 de outubro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AS DUAS FACES DA COLÔNIA JULIANO MOREIRA - Contradições no Rio de Janeiro

REALIDADE DÚBIA

Publicada em 29/09/2009 às 15h16m no Jornal O GLOBO


Fernanda Baldioti


RIO - Enquanto algumas pacientes da Unidade Franco da Rocha, um dos núcleos da antiga Colônia Juliano Moreira, moram em lares de acolhimento que têm camas no lugar de leitos hospitalares, quartos com suíte e até mesmo refeitório com mesinhas com flores, a realidade em outros setores do conjunto psiquiátrico é bem diferente. A dualidade entre o novo modelo de saúde mental preconizado pelo Ministério da Saúde a partir da reforma psiquiátrica e as tradicionais aglomerações de pacientes em amplas salas no estilo manicomial coexistem na Colônia.



Em um dos pavilhões da Unidade Teixeira Brandão, as internas estão alojadas em um grande salão, com armários arrebentados, leitos enferrujados, paredes descascadas e mofadas. Durante a visita do GLOBO na quinta-feira passada, dia 24 de setembro, a água do banheiro escoava para a enfermaria e até um pombo pôde ser visto no local. Em outro setor da unidade, além desses problemas, no banheiro há um tonel cheio de água sob uma torneira que não para de pingar. Mesmo tendo piores condições de manutenção, a Teixeira Brandão abriga cerca de 200 mulheres, quase o dobro da Franco da Rocha, que tem em torno de 110 internas - sendo 60 em lares de acolhimento e 50 em enfermarias que também têm infraestrutura melhor.



De acordo com a Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil, as diferenças não devem permanecer por muito tempo: a Teixeira Brandão vai ser desativada e parte das pacientes irá para a Franco da Rocha, que vai passar por reformas para aumentar a capacidade. Mas, ainda não se tem o valor que será investido e nem um prazo para que a mudança seja realizada. Segundo o diretor geral da Colônia Juliano Moreira, Marcos José Martins, o processo está em fase de planejamento. Ainda este ano será feito o projeto arquitetônico e estabelecido o custo para que isso seja apresentado ao governo para entrar no orçamento do ano que vem da Prefeitura.



- O fato de a unidade ser desativada não é justificativa para que as pacientes continuem sendo mantidas em más condições e, pior, por um período indeterminado - argumenta o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Carlos Eduardo (PSB), que vistoriou a Colônia junto com o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, na última quinta-feira.



O coordenador da Saúde Mental do Rio de Janeiro, Mário Barreira, ressaltou que toda a Colônia, que já não recebe novos pacientes crônicos, será reformulada. Segundo ele, na Unidade Ulisses Viana, alguns pavilhões vão receber famílias cujas casas serão demolidas em função das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região e outros pavilhões receberão pacientes que já têm condições de viver em sociedade:
- A ideia é mesmo mesclar. Isso reduz o estigma e faz com que essa nova comunidade inclua esses excluídos - afirmou.



Cadeiras de roda, leitos e até televisão jogados na colônia abandonada


O processo de desativação de alguns núcleos já começou em alguns pavilhões da Juliano Moreira.



O complexo, que chegou a ter cerca de 5 mil pacientes na década de 60, hoje abriga 530 pessoas. Segundo Barreira, algumas unidades tendem a ser cedidas para outras finalidades públicas. Mas, enquanto isso não acontece, o que se vê nos imóveis que não estão mais sendo usados é o completo abandono. Em um dos prédios da Teixeira Brandão que já foi esvaziado é possível encontrar leitos, cadeiras de rodas, móveis em bom estado de conservação, porém, amontoados e jogados como se fossem entulho em meio a fezes de pássaros.


- Esses materiais que estão apodrecendo poderiam ser enviados para outras unidades de saúde em que constantemente vemos pacientes sendo levados no muque por falta de cadeiras de roda. Não basta fazer investimentos. A má gestão do dinheiro público faz com que a verba não tenha impacto - ressaltou Carlos Eduardo.


No entanto, o coordenador da Saúde Mental afirma que dar baixa em qualquer equipamento é um processo complicado e esbarra em questões burocráticas:
- Existe material inservível que parece em bom estado, mas não é recuperável. Além disso, a burocracia dificulta a remoção desse material. Cada equipamento tem que ser registrado e precisa passar por uma comissão e depois por outra para ser liberado.


Em nota, a secretaria informou que as unidades desativadas necessitam de reformas que já estão em fase de estudo. Segundo a secretaria, os equipamentos que estão no local são de patrimônio federal, da época em que a Colônia pertenceu ao Ministério da Saúde, e a direção está em negociação para devolvê-los.


Apesar de não estar abandonado e apresentar boas condições de manutenção, no Hospital Jurandyr Manfredini, grande parte do ambulatório está sem uso. Já na área de emergência não há equipamentos como desfibrilador e eletrocardiograma. Além disso, o hospital sofre com um déficit de três a quatro psiquiatras, segundo informou uma funcionária que não quis se identificar. Para ela, boa parte dos funcionários reside na Zona Sul e não quer trabalhar tão longe de casa.


Segundo a secretaria, a área que não está em uso deverá ser transformada em leitos de média permanência masculina. Sobre os equipamentos, a secretaria informou que a Colônia conta com duas caixas de paradacardiorrespiratória, e existindo necessidade de um aparato maior, os pacientes são encaminhados para o Hospital Álvaro Ramos, que também fica dentro da Colônia. O desfibrilador está em processo de compra pela unidade.


Em um imóvel ao lado do prédio desativado da Teixeira Brandão, internas aguardavam ansiosas no começo da tarde da última quinta-feira. Com unhas feitas, maquiagem, roupas coloridas, brincos, colares e até salto alto, elas esperavam a hora de, como as misses, mostrarem por que foram eleitas as rainhas e as princesas das suas alas de internação.


Os preparativos começam dois meses antes da festa. Ao longo de um mês, as enfermarias realizam prévias entre todas as pacientes, os técnicos e demais trabalhadores da unidade para eleger a Rainha do Núcleo. A apuração ocorreu dois dias antes da festa por comissão eleitoral fiscalizada pelas pacientes. As seis candidatas finalistas concorrem ao título de Rainha da Primavera, as demais candidatas também desfilam e concorrem ao titulo de Princesa. As faixas são bordadas e customizadas pelas pacientes nas oficinas. O desfile tem uma trilha musical escolhida por cada uma das candidatas que escolhe a música que quer para o seu desfile.


A vice-diretora do Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira, Anna Cristina Cardoso Fontes, enfatiza que o evento vai além da festividade:
- É uma forma de elas se sentirem orgulhosas, de se olharem no espelho, pois, com o tempo, até disso elas abdicam. Com ações desse tipo, trabalhamos aspectos como higiene, vaidade, pois elas se maquiam, colocam acessórios e se envolvem no processo por mais de um mês, quando começam as votações de quem será a representante de cada enfermaria.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS NO RIO EM AGONIA - O Contra-Choque de Ordem na cidade

DESCASO!!!
Hospitais psiquiátricos do Rio em agonia - usuários dormem no chão!

(Matéria Publicada em 28/09/2009 às 09h35m Jornal O GLOBO)
Fernanda Baldioti

RIO - Internos dormindo no chão, fumando na enfermaria, pacientes obrigados a comer em pé, leitos sem colchão, roupas misturadas ao lixo, banheiros sem pia e sanitários esguichando água. Este foi o quadro encontrado pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Carlos Eduardo (PSB), durante uma vistoria realizada no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, mais conhecido como hospício do Engenho de Dentro, e no Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo. A crise, causada em parte pelo corte no orçamento e pelo hiato entre o que é gasto e o valor repassado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), levou o psiquiatra Edmar Oliveira a pedir demissão do cargo de diretor do Nise este mês, após dez anos exercendo a função:
- A secretaria cortou 25% dos contratos terceirizados, que são responsáveis por setores como alimentação e limpeza. Com isto, gestores que, como eu, já vinham fazendo economia, foram prejudicados. Eu já tinha cortado todos os excessos, com menos 25%, não tinha mais como trabalhar. As enfermarias estão em petição de miséria. Com essa verba, só conseguia trocar as lâmpadas - afirmou Oliveira.



A falta de infraestrutura e de manutenção é visível no Nise da Silveira: leitos com a estrutura de ferro cortada pela ferrugem e expostos ao contato dos pacientes, colchões rasgados, goteiras sobre as camas. No banheiro, o reboco do teto desmoronou e não há portas nas cabines, o que deixa os internos sem privacidade.
Durante a vistoria, realizada no fim de agosto, um paciente foi flagrado lavando a cabeça na pia do refeitório. Mofo e infiltrações podiam ser vistos nas paredes dos corredores, de enfermarias, banheiros e outros setores da unidade. Os poucos armários que existem estavam sem portas, e os pacientes não tinham onde guardar os pertences.
Segundo um funcionário do Nise que pediu para não ser identificado, por falta de pessoal, o tratamento dos pacientes praticamente se restringe à medicação. As atividades acontecem uma vez por semana, durante duas horas.
- Eles acabam se estapeando por qualquer coisa. É cadeirada para cima e para baixo. Teve um paciente que arrancou a orelha do outro, e um interno que teve o lábio arrancado. Ano passado, um morreu após uma briga aqui dentro. É difícil trabalhar num local desses. Muitos colegas estão adoecendo, inclusive mentalmente. Trabalhamos sob pressão de dia e de noite - relatou o funcionário.



A morte do interno que foi agredido aconteceu no ano passado, ainda sob a gestão de Oliveira. Segundo ele, um dos problemas foi a demora no atendimento. Como não há ambulância no Nise (nem no Pinel) esperou-se mais de uma hora até que o paciente fosse levado para um hospital.
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que conta com serviço terceirizado de ambulâncias, que ficam baseadas em pontos estratégicos da cidade. "A unidade que necessita do serviço liga para a central é prontamente atendida", afirmou, em nota.



Internos fumam sem serem incomodados



No Hospital Philippi Pinel, a situação não é diferente: foram encontrados colchões e cobertores rasgados, além de madeira podre substituindo o estrado das camas. Nos banheiros, as pias estão sem encanamento e a água cai no chão, as descargas estão com defeito e não há água quente nos chuveiros.
Segundo denúncia de uma funcionária, como os armários estão arrombados e quebrados, as pacientes dormem abraçadas aos pertences para não serem roubadas. Ela relata que há briga até mesmo por causa de roupas íntimas, como calcinhas.

No refeitório, há apenas quatro cadeiras para todos os pacientes da unidade. Muitos reclamam que comem sentados no chão ou em pé. Segundo uma paciente que não quis se identificar, a refeição é regulada: se alguém derruba a comida no chão, não receberá outra. Também não é permitido repetir o prato.
- Um interno me contou que eles fazem a dança das cadeiras e quem se sentar come sentado. Isto é forma de ressocializar alguém? Que ambiente é esse de internação? - questiona o vereador Carlos Eduardo.



Apesar de a constituição proibir o consumo de cigarro dentro de hospitais e ambientes fechados, a cena é comum tanto no Pinel quanto no Nise. O funcionário do Nise relata que há brigas constantes por cigarro. Segundo ele, o vício dos pacientes é mantido por parentes, que levam os cigarros. Como nem todos recebem visitas, cria-se o tumulto.
- A enfermagem oferecia cigarro para nós se a gente se comportasse e não ficasse incomodando. Hoje eles não dão mais cigarro, mas foi aqui que aprendi a fumar, com 15 anos - revela uma paciente do Pinel.



De acordo com a secretaria, tanto no Pinel quanto no Nise da Silveira, só é permitido que os pacientes fumem no pátio. Em nota, a secretaria informou que o Pinel conta com um grande refeitório no térreo, que tem capacidade para receber todos os pacientes. E há ainda algumas copas, nos andares com espaço, para pequenas refeições no caso de pacientes que não têm condições físicas para locomoção e não podem descer até o refeitório principal. A secretaria ressaltou que a quantidade de refeições contratadas é suficiente para a alimentação de todos os pacientes, além absorver o número de refeições excedentes, quando necessário.



Pacientes do ambulatório reclamam da falta de psicólogos



A paciente Deise Correia, que tem síndrome do pânico e faz uso do ambulatório do Nise da Silveira, revela que desde o início do ano não há mais o tratamento sistemático com os psicólogos. Segundo ela, há três meses os pacientes conseguiram uma sala para realizarem reuniões de autoajuda:
- Tínhamos uma consulta uma vez por mês com uma psiquiatra e semanalmente com uma terapeuta. Isto não existe mais. Semana passada, chegou uma senhora muito mal e nós que a ajudamos. Em maio, consegui marcar uma consulta para outubro, mas a médica nova pediu demissão. Como insisti muito e pedi pelo amor de Deus que ela me desse remédio, ela me atendeu, mas só fez repetir a receita. A gente pergunta se esse hospital está acabando e ninguém sabe responder - relatou Deise.



Por causa da falta de tratamento psiquiátrico ambulatorial, o presidente da Associação dos Moradores do Entorno do Engenhão, Aníbal Antunes, organizou uma manifestação que contou com cerca de 70 pessoas no último dia 14. Antunes relata que alguns médicos se queixaram de que não têm sequer um fichário para anexar o prontuário.



- Sem terapia, não há remédio. O tratamento era semanal, passou a ser quinzenal e agora os pacientes se reúnem, fazem autoajuda e sem o profissional acompanhando. Fico sensibilizado porque tenho uma amiga que passava muito por aqui e sempre dizia que nunca havia pensado que precisaria do hospital um dia. Pedimos que o secretário de saúde crie uma solução. Se isto não acontecer, vamos fazer mais manifestações e até acionar o Ministério Público.



De acordo com a direção do Nise da Silveira, a unidade oferece reuniões de autoajuda com a participação de monitores treinados, que em alguns casos são também usuários. Há também a atuação de terapeutas ocupacionais, psicólogos e enfermeiros que participam das atividades terapêuticas, como oficinas de dança e de arte, juntamente com os pacientes.



A direção do Nise informou ainda que a unidade é antiga, da década de 40, e está passando por manutenção preventiva e obras. "A área que está com problemas de infiltrações está interditada, e todos os pacientes foram transferidos para outra enfermaria", afirma uma nota da secretaria de Saúde.



Na nota, a secretaria informou que a demanda por limpeza e manutenção de um hospital psiquiátrico é maior do que a das demais unidades: "Há casos em que os pacientes quebram equipamentos, e o serviço contratado conta com o plantonista para cuidar destes casos corretivos. Todo lixo da unidade é selecionado e separado como infectante ou não infectante, e há quantidade suficiente de colchões para reposição".



Com relação ao corte de 25% dos contratos terceirizados, a secretaria informou que ele foi realizado em contratos de alguns serviços da prefeitura, para adequação do orçamento às contas do município, não havendo perda na qualidade dos serviços prestados. "Esta medida foi adotada para que fosse possível pagar os débitos da gestão anterior e os deste ano".



Confira amanhã o estado de conservação da Colônia Juliano Moreira



Maiores Informações e vídeos sobre a vistoria:


sábado, 26 de setembro de 2009

INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS - NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE O CURSO DE EXTENSÃO


Prezados/as


A Coordenação do NEPS – Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, da Faculdade de Serviço Social da UERJ através dessa está divulgando a homologação dos inscritos (os selecionados) para fazerem o Curso de Extensão em Política de Saúde Mental e Atenção Psicossocial: Produção do Cuidado & Formação Crítica na UERJ. Nosso período de inscrição, ou seja, do envio das fichas de inscrição, teve que ser encerrado antes mesmo do prazo previsto para o seu término, dia 25/09/09, por conta de uma demanda bem maior que o nosso número de vagas, inicialmente, 30.


Após o recebimento de exatas 156 fichas de inscrição, tivemos que proceder a um processo de análise e seleção dos que enviaram suas fichas de inscrição, denominamos essa etapa, antes inexistente, de processamento interno. Nesse processo, fomos obrigados a definir critérios para uma melhor definição dos interessados elegíveis, tomando como prioridade a inserção técnica e institucional no campo da saúde mental e atenção psicossocial. Por outro lado, dobramos o número de vagas que antes seria só de 30 para 60, contudo mantendo a infra-estrutura e o projeto pedagógico do curso.


Assim, coube-nos informar sobre o ACEITE e o INDEFERIMENTO aos que enviaram suas fichas de inscrição. Dessa forma, procedemos da seguinte forma, dividimos os inscritos em dois grupos e enviamos mensagem de e-mail.


O grupo que teve sua inscrição ACEITA estamos esperando no dia 06/10/09, às 18:30, no Auditório Prof. Wilson Cardoso (Antigo A), 9º andar, Bloco D na Faculdade de Serviço Social da UERJ, no Pavilhão Central, João Lyra Filho – Campus Maracanã, para abertura do curso e conseqüentemente para efetivação da inscrição. A ausência significará imediatamente no não interesse, e procederemos assim a chamada da lista de espera.


O grupo que teve sua inscrição INDEFERIDA no curso, aproveitamos esse espaço para registrar que infelizmente não pudemos atender e acolher a todas/os. Lamentamos, mas de antemão queremos afirmar o nosso compromisso de uma nova edição do curso para o ano de 2010.


Certos de contarmos com a compreensão, apoio e empenho de todos/as no êxito do nosso curso,


Cordialmente,


Prof. Marco José Duarte e Equipe do NEPS/UERJ

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

VIII Congreso Internacional de Salud Mental y Derechos Humanos


VIII Congreso Internacional de Salud Mental y Derechos Humanos, promovido pela Universidad Popular Madres de Plaza de Mayo, com o tema: Clínica y Política, de 19 al 22 de noviembre de 2009. Inscriciones hasta 25/09/09.

Maiores informações na imagem.

Saudações Antimanicomiais Internacionais!

Mudando o Imaginário Social da Exclusão


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vistoria encontra indício de maus tratos em hospital psiquiátrico no interior do Rio de Janeiro!


Pacientes estavam sem roupa e dormitórios sem condições de higiene.

A Secretaria de Saúde solicitou que o SUS descredencie a instituição.


Uma vistoria num hospital psiquiátrico de Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, encontrou indícios de maus tratos a pacientes com transtornos mentais. Pacientes sem roupa, dormitórios com colchões rasgados, sem lençóis, camas imundas. 436 pessoas estão internadas no hospital Colônia, de Rio Bonito. Vieram de outros municípios onde não há tratamento psiquiátrico e vivem em condições subumanas. Usam banheiros cheios de infiltrações, com vasos sujos e quebrados. O número pequeno de profissionais não dá conta nem da higiene básica. Um local que serviria para o banho está com teto quebrado, cheio de goteiras. Na hora do almoço, a fila para o refeitório é do lado de fora. A comida é entregue por uma janela e alguns comem com os pratos nas mãos. As alas do hospital tinham muito mau cheiro. No consultório de odontologia, foram encontrados medicamentos vencidos. A diretora do hospital foi presa e liberada depois de pagar fiança. Ela deve responder por crime contra a saúde pública e não quis gravar entrevista. Todas as irregularidades encontradas durante a fiscalização serão relatadas ao Ministério Público e a associações de direitos humanos. Os profissionais de saúde também vão encaminhar um documento ao Governo do Estado cobrando uma ação no hospital. “O que nós queremos é que o estado se responsabilize, porque 100% são pacientes do SUS. Não tem leito particular”, diz Cláudia Arari, membro do Conselho Regional de Psicologia. A lei que regulamenta o tratamento para pessoas portadoras de transtornos mentais proíbe a existência de pacientes em instituições com características de asilo e obriga que a unidade ofereça além de serviços médicos, assistência social e psicológica e atividades ocupacionais e de lazer. “O que nós achamos que deva haver e que, infelizmente, nós ainda não temos, são unidades psquiátricas em hospitais gerais, que dêem em conta de uma demanda, que é a maior demanda, com ambulatórios de psiquiatria onde o médico psiquiatra possa tratar das doenças psiquiátricas, não só da esquizofrenia, mas também de depressão, ansiedade, de várias situações, como o uso de álcool e drogas. Hoje, infelizmente, nós não temos”, afirma João Carlos Dias da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria. A Secretaria de Saúde do Estado informou que o descredenciamento do hospital do SUS já foi pedido ao Ministério da Saúde, que informou que vai apurar as denúncias.


FOTO: Atual Escola de Comunicação da UFRJ (Antigo Hospício Nacional)